A história do voto feminino no Brasil não foi um presente, mas uma vitória conquistada após décadas de entraves políticos e preconceitos arraigados. Embora o Código Eleitoral de 1932, assinado por Getúlio Vargas, seja o marco oficial dessa conquista, o debate começou muito antes, enfrentando uma resistência feroz que durou quase 40 anos.

O tema entrou na pauta política pela primeira vez durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1890-1891. Naquele momento, o Brasil buscava se modernizar sob a nova bandeira republicana, mas a mentalidade dos legisladores permanecia presa ao passado.
Documentos preservados pelo Arquivo do Senado mostram que a elite política da época via a participação feminina como uma ameaça à “ordem natural” das coisas. Algumas declarações daquele período exemplificam o tom do debate: O senador Coelho e Campos (SE) foi enfático ao declarar, em 1891, que sequer cogitava o assunto, afirmando categoricamente que sua esposa não votaria.

O deputado Serzedelo Correa (PA) utilizava uma retórica idealizada para justificar a exclusão. Para ele, a mulher possuía uma “santidade” e um papel de “anjo tutelar da família” que seriam destruídos pelo “meio das paixões e das lutas políticas”.

Argumentos de Domínio e Estabilidade
Os opositores do voto feminino utilizavam o medo como ferramenta de controle. Alegava-se que:
A entrada das mulheres na vida pública causaria uma “convulsão social”. A autonomia feminina resultaria na desorganização do núcleo familiar.
O papel da mulher deveria ser estritamente doméstico, servindo como o apoio moral do homem, longe das decisões de poder.

Somente em 24 de fevereiro de 1932, o direito de votar e ser votada foi finalmente garantido. Esse passo encerrou a era em que o poder público era tratado como um “feudo masculino” e abriu as portas para a construção de uma democracia.

CRÉDITO/FONTE: @agenciasenado
POSTAGEM: Marcos Marangoni